A transformação digital deixou de ser uma pauta tecnológica para se tornar, definitivamente, um desafio estratégico e organizacional. Essa constatação não vem apenas da literatura acadêmica mais recente, mas principalmente da realidade observada em campo.

Ao longo da tese de doutorado e dos artigos científicos desenvolvidos nos últimos anos — incluindo uma pesquisa empírica com 51 empresas industriais brasileiras — um dado se mostrou recorrente e preocupante: as organizações sabem onde estão os problemas, mas não conseguem transformar esse conhecimento em ação estruturada.

A lacuna entre intenção e execução

Os resultados da pesquisa indicam que mais de 85% das empresas reconhecem barreiras críticas à transformação digital, como:

  • Falta de clareza estratégica;
  • Baixa integração entre áreas de negócio e TI;
  • Deficiências de governança e arquitetura empresarial;
  • Ausência de padrões de interoperabilidade;
  • Limitações na gestão simultânea da eficiência operacional e da inovação.

Porém, quando analisamos as ações efetivamente adotadas, menos de 20% das empresas implementam iniciativas coerentes com essas prioridades. Surge então o que a literatura vem chamando de awareness–action gap — a distância entre reconhecer e agir.

É exatamente nesse ponto que a ambidestria organizacional se torna um elemento central.


Ambidestria: muito além do discurso

Ambidestria organizacional é a capacidade de uma empresa equilibrar exploração (eficiência, estabilidade, padronização) e exploração (inovação, experimentação, novos modelos de negócio).

Na prática, o que a pesquisa revelou foi que:

  • Empresas com baixa ambidestria tendem a iniciar projetos digitais isolados (MES, BI, automação, digitalização de processos), mas sem sustentação estratégica;
  • Organizações mais ambidestras apresentam melhor capacidade de priorização, alocação de recursos e gestão de riscos na jornada digital;
  • A ausência desse equilíbrio gera sobrecarga operacional, conflitos entre áreas e abandono prematuro de iniciativas digitais.

Ou seja: não é a tecnologia que falha, é o modelo organizacional que não sustenta a transformação.

O papel da Arquitetura Empresarial e da Interoperabilidade

Outro achado relevante da pesquisa foi a forte correlação entre ambidestria organizacional e dois pilares frequentemente negligenciados:

  • Arquitetura Empresarial (EA): responsável por traduzir estratégia em processos, dados, sistemas e estrutura organizacional;
  • Interoperabilidade Empresarial (EI): capacidade de integrar pessoas, processos, sistemas e parceiros ao longo da cadeia de valor.

Empresas que não estruturam esses pilares acabam operando a transformação digital de forma fragmentada, reativa e com alto nível de risco, mesmo quando o impacto estratégico esperado parece “moderado”.

Da pesquisa à prática: o que isso muda para as empresas?

A partir da consolidação desses achados, foi desenvolvido o DT-P2EF (Digital Transformation – Planning to Execution Framework), que conecta:

  • Estratégia;
  • Ambidestria organizacional;
  • Arquitetura empresarial;
  • Interoperabilidade;
  • Avaliação de riscos e contramedidas.

Na prática, isso permite que as empresas:

  • Avaliem sua prontidão real para projetos digitais;
  • Evitem investimentos desalinhados com a capacidade organizacional;
  • Estruturem decisões baseadas em risco, impacto e maturidade;
  • Criem um ciclo contínuo de aprendizado (relooping), em vez de projetos isolados.

O que aprendemos com as 51 empresas?

A principal mensagem da pesquisa é clara:

Transformação digital não falha por falta de tecnologia, mas por falta de ambidestria, governança e integração organizacional.

Empresas que desejam avançar precisam sair do discurso e estruturar:

  • Modelos de decisão mais maduros;
  • Portfólios equilibrados entre eficiência e inovação;
  • Governança clara entre negócio, TI e operações;
  • Capacidades organizacionais para sustentar a mudança.

É exatamente nesse ponto que a experiência prática, aliada à pesquisa aplicada, faz a diferença.

Na Valor Vertical Gestão Empresarial, essa conexão entre teoria e prática orienta projetos de transformação digital com foco em resultado, sustentabilidade e coerência organizacional, não apenas em tecnologia. Entre em contato para entender e conhecer Cases reais em nossos clientes.


Transformar é escolher, priorizar e sustentar.
E isso exige ambidestria.